Arquivo mensal: março 2014

Reflexão do Evangelho do 4º domingo da Quaresma (Jo 9,1.6-9.13-17.34-38)

jesus e o cegoCRISTO, LUZ DA HUMANIDADE

Como a água, a luz tem um significado forte na liturgia. Luz é sinal de vida, de alegria, ela dissipa as trevas da noite, é símbolo da própria presença de Cristo. O relato do evangelho de hoje tem também forte conotação batismal: o gesto de Jesus de fazer lama com a saliva e colocá-la nos olhos do cego lembra a criação do homem do barro e a unção com o óleo, e o lavar-se na piscina simboliza a água com a qual sebatiza. O relato não deve ser tomado como “milagre”, mas é um “sinal” – como o próprio evangelista o define – que faz um apelo à fé em Cristo e aponta para as exigências do reino de Deus.

Neste relato, temos dupla progressão: a do cego, que passa das trevas à luz, e a das autoridades, que se deixam envolver cada vez mais pelas trevas. A iluminação do cego é progressiva: para ele Jesus é um homem (v. 11), é um profeta (v. 17), procede de Deus (v. 33) e é Senhor (v. 38). Em contrapartida, a cegueira progressiva das autoridades, que resistem a compreender e não querem ver: estão divididas, mostram-se cheias de certezas, recorrem ao insulto e, por fim, à expulsão.

O texto descreve o caminho interior que toda pessoa pode trilhar até encontrar-se com Jesus, luz do mundo, e – após ser iluminada por ele – se comprometer com seu projeto. O caminho se iniciou com a cura física; depois, aos poucos, o “cego curado” vai aderindo a Jesus.

Diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”: este, nem um milagre consegue transformar. Curar o cego foi relativamente fácil para Jesus; o mais difícil é curar as autoridades que dizem ver bem, mas continuam obstinadas na sua cegueira e hipocrisia. Difícil é mudar a visão daqueles que têm solução para todos os problemas, que privilegiam o “código” em detrimento da vida, que detêm o monopólio da verdade, que utilizam seu saber para manipular e seu poder para desprezar sempre mais os grupos discriminados.

Pe. Nilo Luza, ssp

Papa Francisco celebrará Missa pela canonização de Anchieta

Fonte: Diocese de Cajazeiras

anchietaPapa Francisco celebrará, em 24 de abril, uma Santa Missa na igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma, em ação de graças pela canonização do Beato José de Anchieta, religioso fortemente ligado à evangelização no Brasil e que será proclamado Santo no dia 2 de abril, por meio de um decreto papal.

Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), o jovem jesuíta desembarcou em solo brasileiro em julho de 1553, onde fundou junto com o Padre Manoel da Nóbrega um colégio em Piratininga, que deu origem à cidade de São Paulo. Assim como Anchieta, Papa Francisco é membro da Companhia de Jesus, ordem fundada por Inácio de Loyola.

A beatificação de Anchieta foi feita por João Paulo II em 1980. O Papa Francisco também vai assinar decretos de canonização de dois beatos franceses que promoveram a evangelização no Canadá: François de Montmorency-Laval e Maria da Encarnação Guyart.

Reflexão do Evangelho do 3º Domingo da Quaresma ((Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42))

jesus e a samaritanaÁGUA VIVA PARA SEMPRE

Foi transformador o encontro de Jesus com a samaritana junto ao poço de Jacó. O encontro pessoal com Jesus, o diálogo profundo com ele sobre a sede de Deus e de vida, simbolizados pela água, permitiram à samaritana rever a própria vida e testemunhar a novidade de uma água que sacia a sede para sempre.

Num mundo em que a palavra de ordem é a autossuficiência, Jesus se mostra necessitado. Pede água a uma mulher da Samaria, terra considerada impura pelos judeus. Provoca nela a abertura à sua palavra, chamando ao encontro pessoal, ao diálogo, que é a única forma de as pessoas se conhecerem verdadeiramente. E assim faz a samaritana reconhecer-se necessitada também, não de uma água de poço, mas de algo que sacie a sede de Deus, a sede de vida eterna.

No encontro com Jesus, a samaritana é levada a rever a própria vida revendo as relações, pois a Deus não se alcança num intimismo individualista. Dá pena ver cristãos dizerem que encontraram Jesus apenas quando começaram a frequentar outras denominações cristãs. O que faltou para que tais pessoas tivessem um encontro pessoal e transformador com o Mestre? Por que, para além de doutrinas e regras, não puderam encontrar a pessoa concreta do Filho de Deus?

Um compromisso sério com Jesus é exigente e implica a construção de relações fraternas na comunidade. Exige revisão de vida, para tomarmos consciência dos nossos anseios mais profundos. Afinal, para além da sede de água, que tipo de sede buscamos saciar na vida?

Jesus é a Água Viva que mata a nossa sede de Deus. E a água que ele nos dá se torna em nós fonte de água que jorra pela eternidade. Na comunidade dos que celebram fisicamente em templos de pedra e que adoram espiritualmente na fidelidade ao Espírito Santo, somos chamados a dar ao mundo o testemunho de nossa fé, a exemplo da samaritana. Para que o próprio Espírito continue se derramando pela vida do mundo, por meio de nossa intimidade com Jesus. Uma intimidade que constrói comunidade.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

Revista ‘Fortune’ elege Papa o líder mais influente do mundo

papa

A revista econômica ‘Fortune’ escolheu o Papa Francisco como o líder mais importante e influente do mundo, numa lista de 50 nomes.

“Há pouco mais de um ano, um sopro de fumaça branca anunciou o novo líder espiritual de 1,2 bilhões de católicos em todo o mundo – escreveu a Fortune no seu site. No breve tempo transcorrido, Francisco eletrizou a Igreja e atraiu legiões de admiradores não-católicos, estabelecendo energicamente uma nova direção”. “Ele – continuou a revista – recusou-se a ocupar os suntuosos apartamentos papais, lavou os pés de uma detenta muçulmana, é conduzido em Roma em um Ford Focus e notoriamente pediu ‘Quem sou eu para julgar?’”.

A revista recordou ainda que Bergoglio “criou um grupo de 8 cardeais para aconselhá-lo na reforma, fato que um historiador da Igreja considerou como ‘o passo mais importante na história da Igreja dos últimos 10 séculos’”.

Também os sinais de um ‘efeito Francisco’ são abundantes. Numa pesquisa realizada em março, um católico em cada quatro afirmou ter aumentado neste ano sua beneficência em favor dos pobres. Entre estes, 77% afirmou ser devido ao Papa Francisco.

O segundo lugar na classificação é ocupado pela Chanceler alemã Angela Merkel e entre os 50 indicados encontram-se também Bill Clinton, a Nobel da Paz de Myanmar, Aung San Su Kyi, Bono Vox do U2 e o Dalai Lama.