Reflexão do Evangelho do 18° Domingo do tempo comum (Mateus 14,13-21)

jesus-e-multidaoDAI-LHES VÓS DE COMER

O evangelho deste domingo vem logo após a morte de João Batista, quando Herodes, num banquete, decreta a morte do profeta dos pobres e das esperanças do povo. Jesus, em contraste com o banquete da morte, propõe o banquete da vida, no qual os pobres e famintos são saciados.

Jesus sai do ambiente de morte e se dirige ao deserto, seguido pela multidão. O deserto recorda o êxodo e a missão libertadora de Moisés. Nesse ambiente, Jesus inaugura um mundo novo, tendo compaixão da multidão e conclamando todos para construir o projeto alternativo: uma sociedade sem fome e sem miséria.

Os discípulos tentam “tirar o corpo fora”, pensando não ser problema deles. Jesus os instiga a não fugir do compromisso. Da mesma forma, embora hoje muitos pensem que os problemas da humanidade não devem preocupar a Igreja envolvida com as “coisas do espírito”, ela também deve empenhar-se na solução dos problemas do povo e comprometer-se com os projetos que promovem a dignidade da pessoa. Cada cristão é responsável pela fome do outro: fome de pão, de amor, de justiça, de carinho, de compreensão, de escuta… O cristão não é aquele que despede, mas o que acolhe. Virando as costas aos famintos, perde-se a identidade cristã.

A solução proposta pelos discípulos é cômoda e descomprometida. Eles seguem a lógica do mercado, que manda comprar, algo que poucos tinham condições de fazer. A proposta de Jesus é outra: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. A solução, portanto, não está em projetos mirabolantes, mas na partilha do “pouco”: cinco pães e dois peixes, somando sete, símbolo de plenitude e totalidade.

Após a organização do povo, Jesus pronuncia a bênção, como qualquer pai israelita antes das refeições em família. Em seguida distribui os pães e os peixes. Aí acontece o milagre: quando há a partilha. Milhões de pessoas passam fome no mun-do porque a humanidade ainda não aprendeu a partilhar, a distribuir o que ela própria produz. Não podemos comer tranquilamente “nosso pão” e “nosso peixe” se ao nosso lado há pessoas passando fome.

Pe. Nilo Luza, ssp

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Publicado em 3 de agosto de 2014, em REFLEXÕES e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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