Arquivo mensal: setembro 2014

Reflexão do Evangelho do 26º Domingo do Tempo Comum (Lucas 9,1-6)

o joio do trigoTRABALHADORES NA VINHA DO SENHOR

Os dois filhos da parábola negam sua palavra: um diz sim e não faz; outro diz não e faz. O que é mais grave: dizer sim e não fazer ou dizer não e fazer? Os dois filhos se arrependem da própria palavra dada.

Diante de Deus, o que vale não é tanto a palavra, o falar, mas o fazer. Para cumprir sua vontade, não basta dizer “Senhor, Senhor” e enfileirar promessas; o que importa é a prática de vida. Por traz da palavra podem estar escondidas falsidades e mentiras. Como disse alguém, fazer é a melhor maneira de mostrar que é possível transformar a sociedade.

Todos somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor. Palavras passam depressa; o que tem valor realmente é arregaçar as mangas e se dispor ao projeto de Jesus. Ele necessita de pessoas generosas que se dediquem a dar continuidade ao seu reino: a construção de uma sociedade justa e fraterna, que se preocupe principalmente com a inclusão dos excluídos.

O que nos causa mais surpresa é a segunda parte do evangelho: os pecadores e as prostitutas nos precederão no reino dos céus – embora todos nos incluamos no grupo dos pecadores e sejamos, portanto, “merecedores” do “prêmio” prometido por Jesus. Os que se pretendem perfeitos, bons observadores das leis e frequentadores da Igreja podem ser precedidos no reino pelos que, não obstante sejam julgados e condenados como violadores das leis e pecadores públicos, trilham o caminho da justiça, o caminho de Deus, do seu projeto e de sua vontade.

Muitos abandonados pela sociedade e sem lugar nas igrejas podem estar no coração de Deus. Quando os evitamos ou desprezamos, Deus se aproxima deles e os acolhe.

Uma religião que se restringe ao cumprimento de rituais e práticas religiosas e se descuida da vivência fraterna, da ternura e da compaixão não é do agrado de Deus e é de pouca valia. Nossos encontros com Deus nos fins de semana, com a comunidade reunida, sinalizam nosso desejo de contar com ele ao longo da semana, vivendo a caridade e a justiça.

Pe. Nilo Luza, ssp

Relembrando o guia de orientação ao eleitor por Padre Djacy.

Padre DjacyA HORA E A VEZ DO(A) ELEITOR(A) SERTANEJO(A)

SERTANEJO (A), Consciente de seus direitos básicos (saúde, educação, moradia, água, segurança etc.,) vote somente em candidatos que tenham compromisso com sua cidade, sua comunidade rural, que visem o bem comum, o interesse do povo. Para isso, conheça a sua história de vida, suas atitudes éticas, cristãs. Reflita: por que fulano A ou B quer ser prefeito, ou vereador? Quais suas intenções?Quais suas propostas de governo? Candidato A ou B é digno do meu voto? POR QUE EU DEVO VOTAR NELE (A)?

SERTANEJO (A), não vote aleatoriamente, cegamente. Use sua inteligência, seu raciocínio. Pense antes de se comprometer com qualquer candidato. Não vote movido pela paixão, pelos brilhos festivos das campanhas, pelas as aparências físicas, pelo tradicionalismo familiar. O futuro de sua cidade, de seu sítio, está em suas mãos. Por isso, vote com muita responsabilidade. VALORIZE SEU VOTO, QUE É SUA ARMA CIDADÃ. Leia o resto deste post

Igreja: pauta é progressista, mas aborto ‘é inegociável’.

Ao contrário de 2010, questões sociais e a reforma política ganharam espaço entre líderes religiosos.

A realização de um debate presidencial no Santuário Nacional de Aparecida, como o de terça-feira 17 no interior de São Paulo, marca a entrada da Igreja Católica nas eleições deste ano. Ao contrário do que ocorreu no último pleito, em 2010, assuntos como aborto, casamento gay e uso de células-tronco estão sendo pouco explorados pelos líderes católicos. Questões sociais e a reforma política ganharam espaço pelas mãos do cardeal-arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis. Apesar do tom progressista em vários temas polêmicos, a Igreja Católica ainda trata como “inegociável” a discussão do aborto.

A mudança de foco da Igreja Católica ao privilegiar debates sociais em vez de comportamentais coincide com um novo discurso que ecoa do Vaticano. Desde 2013, o papa Francisco tem dado orientações menos conservadoras em relação a temas tabus. Entre os fiéis, a influência do papa Francisco é assumida. A aposentada Conceição Mercês, de 66 anos, viajou da capital paulista até Aparecida para passar o dia no Santuário. Religiosa, ela diz ter se ofendido, recentemente, quando ouviu em uma missa um padre defender comportamentos homofóbicos. “Se o papa não fala isso porque um soldado raso, como ele, pode falar uma coisa dessas?”.

Para o professor Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), duas razões explicam a postura da Igreja em 2014: o momento de incerteza política no País e a autocrítica da Igreja Católica ao reconhecer que interferir na política, como aconteceu no passado, não faz bem à própria instituição. “A sociedade brasileira está com uma percepção mais aguda da necessidade de retomar o discurso social e socioeconômico, ao contrário do que ocorria há quatro anos, quando havia impressão de que tudo estava caminhando bem. Em 2010 então não havia porque a Igreja ter uma atenção particular [com esses temas]”, afirma Neto. “Para a construção do bem comum, esse é o grande fator que desloca um pouco o eixo a partir das questões comportamentais para outros princípios da Igreja, como o social e o socioeconômico”, diz.

Ainda que não seja por influência do papa, o discurso mais ameno sobre temas morais tem sido a regra na Basílica. Diretor da TV Aparecida, o padre Josafá Moraes é a favor da criminalização da homofobia, da união homoafetiva e acha “coerente” que as eleições não sejam decididas em cima de pautas religiosas. Mesmo quando fala sobre a importância de saber o que os candidatos pensam sobre a “concepção da família”, o padre evita o julgamento moral. “Com a mutação da família, a Igreja quer saber o que os candidatos pensam, mas não moralmente”, diz Moraes. “Não é um exercício moral, mas de atender os direitos da população. Se por um acaso, o candidato disser que determinada conjuntura de família não corresponde àquilo que a Igreja entende não quer dizer que não vamos votar nele. Não é isso. Não é pegadinha”, explica antes de dizer, no entanto, que a instituição “não abre mão” da defesa da vida.

Para Moraes, ao contrário do que ocorreu em 2010, com o frequente debate sobre o aborto, desta vez “tudo foi conduzido” para que o assunto não entrasse nas eleições e a escolha do novo governo não se desse a partir de uma pauta religiosa. “Isso é muito coerente, pois a Igreja Católica não é centro, é parte da sociedade”, diz. “Mas a Igreja é defensora da vida e disso ela não abre mão”, defende.

A preocupação do diretor da TV Aparecida é a mesma de Dom Darci Nicioli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida. Ainda que concorde que nenhum candidato “é louco” de ser contra a vida, Nicioli vê a necessidade de a Igreja Católica defender o direito do feto. “Quando alguém defende o aborto é o ser humano indefeso que está sendo ameaçado. Então uma coisa é o discurso, outra coisa é a prática. Nunca ninguém vai ser louco de dizer ‘eu sou contra a vida’, mas, na prática, suas atitudes quais são? Se eu defendo a pena de morte, estou contrário à vida. Hitler defendia a vida. De quem? Dos arianos. Que defesa da vida é essa? A vida não se negocia em nenhuma hipótese”, argumenta.

A Igreja reconhece que os milhares de abortos ilegais realizados todos os anos no Brasil apesar da proibição da lei são um problema de saúde pública, mas Nicioli afirma que ninguém pode decidir, “com a chancela do Estado”, sobre a vida do feto. “No caso de interromper uma gravidez, quem é que estaria defendendo o feto, que é vida? Uma pessoa estuprada pode não querer [ter um filho], a gente até entende. Mas quem é que defende o feto? Uma coisa é eu ter a minha opção. A outra é eu ter a custódia do Estado para decidir sobre a vida dos outros, no caso, o feto”, defende o bispo.

Reflexão do Evangelho do 25º Domingo do Tempo Comum (Lucas 8,1-3)

jesus eu_estou_meioA JUSTIÇA DO REINO

A justiça do reino, que se manifesta no agir de Deus, o dono da vinha que cumpre a palavra e atende a todos, convida a atitudes novas. Pois trabalhar em sua vinha, o reino de Deus, não torna uns mais merecedores que outros. Cada um de nós, com a própria história, seguindo a justiça do reino, entra na dinâmica do amor de Deus, tornando-se também objeto de sua bondade e misericórdia.

Os que foram contratados primeiro esperam receber mais do que o “justo” combinado. Pensam na justiça que retribui segundo o mérito, baseada na comparação e sempre acompanhada de ciúme.

Os que foram contratados por último, em vez, descobrem que o “justo” combinado vai além do que merecem. De fato, o dono da vinha, ao agir com bondade, mostra que sua justiça não é punição, mas solidariedade com os que vivem situações de preocupação e sofrimento, como o desemprego.

Tem sentido, então, a pergunta do dono da vinha, diante de um ciúme que não admite o amor autêntico de Deus. Reconhecer-se agraciado por Deus e comprometer-se com uma justiça diferente faz superar preconceitos e abre às necessidades dos outros. Seria mais fácil, de antemão, tachar de vagabundos aqueles trabalhadores contratados por último. O dono da vinha os questiona, descobre que estão desempregados, e o pagamento “justo” que ele faz se expressa em solidariedade, pelo drama que viviam.

A justiça de Deus, enfim, iguala por alto, eleva à dignidade todos os seus filhos e filhas. E nos convida a uma lógica diferente, não baseada no mérito, mas na solidariedade que questiona, aproxima e inclui. Para além de preconceitos, para além da simples retribuição, a fim de experimentar de fato o agir daquele que é bom.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp