Arquivo mensal: outubro 2014

Reflexão do 30º Domingo do Tempo Comum (Mateus 22,34-40)

jesus eu_estou_meioDOIS AMORES INSEPARÁVEIS

Sempre e em todo lugar existem os mal-intencionados querendo interpelar Jesus para pô-lo em apuros. Desta vez entra a questão do maior mandamento. Os fariseus, juntamente com os saduceus, fazem parte da elite governante no tempo de Jesus. Graças a uma provocação maldosa do fariseu, temos a proposta de Jesus de não separar os dois amores: a Deus e ao próximo.

A resposta de Jesus retoma Deuteronômio (6,5), onde encontramos o famoso shemá, Israel (escuta, Israel). O shemá é o início de uma oração ainda hoje muito cara à religião judaica que manifesta a fé do povo num Deus único. Essa expressão é repetida várias vezes no Deuteronômio. A tríplice terminologia – coração, alma, mente denota a integralidade da existência humana orientada para Deus.

A proposta de Jesus vai na contramão de uma religião intimista e desligada da vida cotidiana, sem compromisso com o próximo. O “eu e Deus” envolve um terceiro elemento: o irmão. Jesus deixa claro que não existe um amor a Deus que ignore o compromisso com o irmão. Amar a Deus acima de tudo nos faz amar o próximo com a mesma intensidade. Quanto mais a pessoa ama, mais humana e divina se torna.

Demonstramos nosso amor a Deus amando o próximo, imagem de Deus. Na vivência do segundo mandamento não menos importante , comprova-se a fidelidade ao primeiro. A comunhão amorosa e fiel a Deus exige atenção para com as pessoas. A fidelidade a Deus não combina com o desprezo ao povo. Como diz são João: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”.

Toda religião séria não pode esquecer o essencial e se deixar levar por caminhos que ignoram os irmãos sofredores, também filhos e filhas de Deus e amados por ele. A resposta de Jesus quer recuperar o essencial na vivência cotidiana e a base de toda religião: o amor a Deus e ao próximo.

Pe. Nilo Luza, ssp

Não deixeis que vos roubem a esperança devido à precariedade – Papa aos jovens desempregados

Ide e Anunciai

2014-10-25 Rádio Vaticana

Neste sábado dia 25 foi publicada uma mensagem do Papa Francisco para o congresso da Conferência Episcopal Italiana, a decorrer em Salerno subordinado ao tema “Na precariedade, a esperança”. Frase forte desta mensagem: “Aonde não há trabalho, falta dignidade” – o Papa Francisco exorta os jovens italianos a “não deixarem que lhes roubem a esperança devido à precariedade”.
“Nas visitas realizadas em Itália”, escreve o Santo Padre, “assim como nos encontros com as pessoas, eu pude sentir de perto a situação dos jovens desempregados, precários; mas este não é apenas um problema económico, é um problema de dignidade. Aonde não há trabalho, falta dignidade”. A mensagem foi lida na abertura do encontro por D. Giancarlo Bregantini, Presidente da Comissão Episcopal para o trabalho e problemas sociais.
O Papa Francisco afirma ainda que “devemos dizer ‘não’ a esta cultura do descarte; ela significa precariedade. Existe, no entanto, outra…

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Reflexão do Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum (Lucas 11,29-32)

CRISTÃOS MISSIONÁRIOSDeus

No evangelho, Jesus é provocado para cair numa armadilha. Percebendo a maldade de seus opositores, transfere a responsabilidade para eles e faz um discernimento: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. O poder, as riquezas, as vaidades são do mundo, são de César. A vida, o envio à missão são de Deus. Como nos lembra Isaías: “Eu te chamei, eu sou o Senhor e não há outro”. Somos eleitos para ir e testemunhar com nossa vida.

O mandato de Jesus aos seus discípulos: “Vão e levem a boa notícia a todas as nações” é algo vivo e atual. Todos somos chamados e enviados em missão. O cristão deve viver o evangelho e por isso tem a obrigação de ser missionário. Paulo dizia: “Anunciar o evangelho não é motivo de glória, mas necessidade. Ai de mim se não anunciá-lo” (1Cor 9,16). Que tipo de missionários somos? Como vivemos esse mandato de Jesus?

O tema do mês missionário deste ano é: “Missão para libertar”. À medida que nos aproximarmos dos pobres, dos que mais sofrem, dos excluídos, aliviarmos as dores e manifestarmos solidariedade, estaremos vivendo o que Jesus pediu. Na sinagoga de Nazaré, ele recordou a profecia de Isaías: “Enviou-me a proclamar a libertação” (Lc 4,18). O papa Francisco tem insistido que quer uma Igreja pobre para os pobres. Há tanta indiferença, egoísmo, acomodação, exploração; pessoas traficadas como mercadoria, corrupção, busca desenfreada de poder, de estética etc. Mas também há pessoas que se doam, prestam serviço, são verdadeiros discípulos missionários. Somos convidados a fazer nossa parte. Se não vamos em missão, podemos ajudar com nossa oração, nosso apoio e solidariedade. Nossa oferta para as missões tem sentido e valor. Não devemos dar do que sobra, mas daquilo que faz parte da vida. Manifestamos a Deus nossa gratidão por tanto que nos dá, partilhando e ajudando no trabalho missionário em todas as partes do mundo.

Pe. Camilo Pauletti

Diretor das Pontifícias Obras Missionárias

Homilia do Papa Francisco na Missa de encerramento do Sínodo e beatificação de Paulo VI (19 out 2014)

Ide e Anunciai

2014-10-19 Rádio Vaticana

Acabámos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21).
À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irónica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: «E [dai] a Deus o que é de Deus». Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e…

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