Arquivo mensal: novembro 2014

Reflexão do Evangelho da Solenidade de Cristo Rei do Universo (Mateus 25,31-46)

cristo_reiJESUS SE IDENTIFICA COM OS NECESSITADOS

O discurso escatológico de Jesus, nos capítulos 24 e 25 de Mateus, culmina com uma cena de julgamento, algo muito comum nesse tipo de literatura, que procura encorajar as minorias oprimidas a se manter firmes na confiança em Deus. As seis categorias descritas (famintos, sedentos, estrangeiros, nus, doentes e presos) sintetizam todos os esquecidos e abandonados pela sociedade, os quais devem ser a prioridade dos governantes e também da Igreja.

Nós que conhecemos os ensinamentos e atitudes de Jesus não devemos estranhar o tipo de julgamento apresentado pelo evangelho. Jesus é incapaz de ficar indiferente à dor e ao sofrimento do povo e faz em favor dele tudo o que está a seu alcance. Ele se identifica com as pessoas desvalidas, demonstrando-lhes compaixão. Compaixão é “sofrer com”, é assumir a dor junto com o sofredor. A compaixão, fundamental nas atitudes de Jesus, deve estar presente também nas atitudes da comunidade e de todo cristão. Não é de surpreender, portanto, que a compaixão seja o critério básico e decisivo que julgará nossa vida.

Neste último domingo do tempo comum, a Igreja nos põe diante da missão do leigo e da leiga. São pessoas não ordenadas que se engajam na comunidade cristã e se comprometem com o projeto de Jesus. Além dos leigos e leigas muito conhecidos e presentes nas nossas comunidades, existem os leigos e leigas consagrados.

Neste ano celebramos os cem anos de existência da Congregação dos Paulinos (Pia Sociedade de São Paulo), mas a obra iniciada pelo bem-aventurado Tiago Alberione vai além dessa congregação. Ele edificou a Família Paulina, formada por padres, irmãs e leigos consagrados, englobando cinco congregações e quatro institutos seculares. Os institutos seculares não são de vida religiosa, mas comportam verdadeira e completa profissão dos conselhos evangélicos. Profissão que confere a consagração a homens e mulheres que vivem com sua família e trabalham como qualquer outro profissional.

Pe. Nilo Luza, ssp

Anúncios

Cristo Rei – reflexão de Santa Teresa de Ávila

Ide e Anunciai

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja

Caminho de Perfeição, 22

«A Minha realeza não é deste mundo»

Tu és rei eternamente, meu Deus […]; quando dizemos no Credo que o Teu «reino não terá fim», sinto quase sempre uma alegria muito especial. Eu Te louvo, Senhor, bendigo-Te para sempre! No fim, o Teu reino durará eternamente! Não permitas nunca, Mestre, que os que Te dirigem a palavra julguem poder fazê-lo só com os lábios. […] Certamente, quando vamos ao encontro de um príncipe, não lhe falamos com o mesmo à-vontade que a um aldeão ou a uma pobre religiosa como nós: seja qual for a maneira como nos falarem estará sempre bem.

Sem dúvida que a humildade do nosso Rei é tal que, apesar da minha ignorância das regras da linguagem, Ele não deixa de me escutar e de me permitir aproximar-me d’Ele. Os Seus guardas…

Ver o post original 180 mais palavras

Reflexão do Evangelho do 33º Domingo do Tempo Comum (Mateus 25,14-30 ou 14-15.19-21)

talentos jesusFIDELIDADE CRIATIVA NA ADMINISTRAÇÃO DOS DONS

Sempre mais se exige fidelidade e empenho a todos os que exercem algum serviço na comunidade, na Igreja e na sociedade. Ninguém deve se omitir, apresentando desculpas sem fundamento. Deus criou o mundo e o colocou em nossas mãos para que o preservemos e o melhoremos. Somos responsáveis por esta obra que o criador nos confiou.

O evangelho deste domingo faz parte do capítulo 25 de Mateus, todo tecido em torno da questão escatológica, no que se refere ao fim dos tempos. Reflete a situação de opressão produzida por um império que defrauda e escraviza sempre mais os que estão sob seu jugo, enquanto o “patrão” goza a vida com mordomias e passeios. Jesus parte dessa situação real para dar o seu recado sobre o reino dos céus.

Os dois primeiros servos recebem os talentos e procuram multiplicá-los: investem e arriscam. Sem arriscar não se obtêm resultados, de todo o modo incertos. O mais importante, porém, não é não errar, mas sim se comprometer com uma “fidelidade ativa, criativa e arriscada”. Os servos são chamados a cumprir a tarefa indicada pelo senhor. O presente é tempo de oportunidades para colaborar na construção do reino de Jesus.

O terceiro servo, o que recebeu um talento, é o que chama mais a atenção.

É uma pessoa medrosa, não arrisca, não age por amor e, por isso, enterra o talento. Ainda não entendeu sua missão e seu compromisso com o Senhor e com a comunidade. Ainda não entendeu que Deus não é um tirano que amedronta as pessoas e só fica censurando (“não faça isso, não faça aquilo”), mas é Pai que ama com carinho a cada um e motiva a ir em frente, tornando a vida mais digna e feliz para todos.

Somos, muitas vezes, tentados a enterrar os talentos por medo de arriscar e preferimos não nos comprometer com nada nem com ninguém e nos conformar com a mesmice. Jesus não quer que continuemos sempre na mesma (“sempre foi assim”). Atentos aos sinais dos tempos e aos apelos do evangelho, somos chamados a agir e arriscar, não ter medo de inovar.

Pe. Nilo Luza, ssp

No Angelus, Papa recorda queda do Muro de Berlim: o mundo precisa de pontes

Ide e Anunciai

2014-11-09 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A humanidade de hoje precisa de “pontes, não de muros”, exatamente como os povos do Séc. XX não precisavam da divisão simbolizada pelo Muro de Berlim. No dia que recorda a queda, 25 anos atrás, do muro da vergonha, o Papa Francisco lançou no Angelus na Praça São Pedro, um apelo a fim de que caiam, disse, “todos os muros que ainda dividem o mundo”.
Foi um auspício de paz e de fraternidade repetido também durante a alocução que precedeu a oração mariana, inspirado na festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão – sede da Diocese de Roma.
“25 anos atrás, 9 de novembro de 1989, caia o Muro de Berlim.” O Santo Padre ofereceu a sua leitura do que se deu com a queda do que definiu “símbolo da divisão ideológica da Europa e do mundo inteiro”:

Ver o post original 448 mais palavras