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Reflexão do Evangelho da Solenidade de Cristo Rei do Universo (Mateus 25,31-46)

cristo_reiJESUS SE IDENTIFICA COM OS NECESSITADOS

O discurso escatológico de Jesus, nos capítulos 24 e 25 de Mateus, culmina com uma cena de julgamento, algo muito comum nesse tipo de literatura, que procura encorajar as minorias oprimidas a se manter firmes na confiança em Deus. As seis categorias descritas (famintos, sedentos, estrangeiros, nus, doentes e presos) sintetizam todos os esquecidos e abandonados pela sociedade, os quais devem ser a prioridade dos governantes e também da Igreja.

Nós que conhecemos os ensinamentos e atitudes de Jesus não devemos estranhar o tipo de julgamento apresentado pelo evangelho. Jesus é incapaz de ficar indiferente à dor e ao sofrimento do povo e faz em favor dele tudo o que está a seu alcance. Ele se identifica com as pessoas desvalidas, demonstrando-lhes compaixão. Compaixão é “sofrer com”, é assumir a dor junto com o sofredor. A compaixão, fundamental nas atitudes de Jesus, deve estar presente também nas atitudes da comunidade e de todo cristão. Não é de surpreender, portanto, que a compaixão seja o critério básico e decisivo que julgará nossa vida.

Neste último domingo do tempo comum, a Igreja nos põe diante da missão do leigo e da leiga. São pessoas não ordenadas que se engajam na comunidade cristã e se comprometem com o projeto de Jesus. Além dos leigos e leigas muito conhecidos e presentes nas nossas comunidades, existem os leigos e leigas consagrados.

Neste ano celebramos os cem anos de existência da Congregação dos Paulinos (Pia Sociedade de São Paulo), mas a obra iniciada pelo bem-aventurado Tiago Alberione vai além dessa congregação. Ele edificou a Família Paulina, formada por padres, irmãs e leigos consagrados, englobando cinco congregações e quatro institutos seculares. Os institutos seculares não são de vida religiosa, mas comportam verdadeira e completa profissão dos conselhos evangélicos. Profissão que confere a consagração a homens e mulheres que vivem com sua família e trabalham como qualquer outro profissional.

Pe. Nilo Luza, ssp

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Reflexão do Evangelho do Domingo de Cristo Rei (Lc 23,35-43)

QUE REINO QUEREMOS?

cristo_reiA solenidade de Cristo Rei, neste último dia do ano litúrgico, sempre coloca, frente a frente, dois reinos. Tanto Pilatos, que pergunta pelo reino de Jesus, quanto o ladrão crucificado ao lado do Mestre fazem pouco do seu reino. Para o primeiro, ser rei significa governar com força, com tirania, com violência, por meio de exércitos bem armados. Para o outro, ser rei significa comandar, executando atos mágicos, controlando os elementos da natureza, tudo em benefício próprio.

É aí que aparece Jesus. Jesus não é apenas um homem bem-intencionado. Ele é Deus! Deus que se faz humano para mostrar às pessoas o que é ser humano. A vida, a prática de Jesus, suas palavras e gestos explicitam o extremo significado do que é o humano. O ponto de chegada do humano é o próprio Deus. A prática de Jesus espelha o que Deus entende por humano.

Hoje já não há disputa entre os exegetas: o cerne da vida, da mensagem e da morte de Jesus é o reino. Em outras palavras, ele é o reino andando e falando entre nós. Somos levados a entender e assumir esse reino; para isso, porém, faz-se necessária profunda conversão. Ele só pode ser vivido quando abrimos mão dos valores do reino de Pilatos e do ladrão, dos sistemas econômicos que oprimem, da produção e do consumo de desejos que matam os pequenos e a natureza.

A animação das vivências deste mundo, da ordem temporal, é dever de cada batizado, mas, particularmente, dos fiéis cristãos leigos e leigas (cf. Lumen Gentium 31-38). Eles devem assumir suas responsabilidades na edificação daquele reino; devem viver à luz do paradoxo de um reino cujo rei é um crucificado; devem ser sinal de que o reino de Deus é não só uma possibilidade, mas uma necessidade. Ele se constrói na humildade daquele que, sendo tudo, de tudo se desfez por nós, mostrando-nos qual deve ser a nossa prática. Por isso, ele é o rei do universo e o paradigma de toda a nossa prática, de toda a nossa vida.

Carlos Signorelli

Membro da Comissão de Assessoria Permanente do CNLB

 

Nascimento de Cristo Jesus

Fonte: Capítulo V, de A vida de Cristo, Quadrante, São Paulo, 2000.
Tradução: Ruy Belo

presepioUm albergue pobre, desmantelado e cheio de teias de aranha, foi o primeiro palácio de Jesus na terra; um presépio sujo, seu primeiro berço. Mais tarde, o mundo há de venerar a gruta onde acaba de ocorrer aquele nascimento prodigioso.

Como bom administrador, Augusto tinha a paixão das estatísticas. Suetônio diz-nos que, ao morrer, deixou escrito pelo próprio punho um breviário de todo o seu Império, quer dizer, um caderno “onde figuravam os nomes dos cidadãos, as riquezas de cada uma das províncias, a lista dos aliados que deviam contribuir para engrossar os exércitos, o estado dos tributos e das rendas e o rol das somas gastas em coisas necessárias e em liberalidades”. São dados tão escrupulosos e pormenorizados que só os pôde ter obtido à força de freqüentes cadastros, inscrições e recenseamentos, e de uma burocracia rigidamente organizada.

Graças a uns papiros recentemente descobertos no Egito, conhecemos as formulas empregadas para anunciar estes recenseamentos. Um dos governadores, chamado Víbio Máximo, anunciava deste modo ao país uma daquelas medidas destinadas a apurar o censo da população: “Como vai começar a inscrição por casas, é necessário que todos os que, por qualquer razão, estiverem ausentes do lar pátrio a ele voltem para realizarem as formalidades necessárias”. Leia o resto deste post

Reflexão da Festa de Cristo Rei

REINOS INCOMPATÍVEIS

A pregação do reino de Deus é o eixo central da mensagem da encarnação. A morte de Jesus tem tudo que ver com sua vida, com sua crítica aos valores do reino do mal, presentes no processo político e econômico de sua época, mas também no social e religioso. Sua atenção com os sofredores e sua denúncia das estruturas construídas pelo poder de opressão levam-no à cruz.
O diálogo de Jesus com Pilatos é dos mais ricos da história da humanidade. Frente a frente, dois impérios: um que usava o poder da opressão e matava ao menor movimento de desobediência; o outro, com o poder do lava-pés. São dois reinos, não na velha acepção de um reino para esta vida e outro para depois da morte. Não. Os dois convivem aqui e agora. No reino dos césares, a ganância, a falsidade, a opressão, a prepotência, o lucrar a qualquer preço e acima de tudo. No reino de Cristo, a prática de Jesus, o poder a serviço do fraco, do abandonado, a busca da verdade, a humilde dedicação ao outro.
Não podemos entender a nossa vida de sofrimentos como o banco de espera para a outra vida. Seria cruzar os braços diante das injustiças que campeiam ao nosso lado, seria fugir, impotentes ante os poderes do reino do mal.
Construir o reino com novos valores é tarefa e responsabilidade que todos recebemos no batismo. É a vocação dos cristãos leigos e leigas. O Vaticano II nos ensina: “Aos leigos compete, por vocação própria, buscar o reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus” (LG 31). Ordenar as coisas segundo Deus significa não só viver segundo os valores do reino, mas buscar sempre que o mundo aprenda com o nosso exemplo. Mais diretamente, o papa Paulo VI afirma que o espaço evangelizador próprio dos cristãos leigos e leigas “é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura […], o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento” (EN 70).
Fazer o tecido humano da sociedade responder aos valores do reino, eis a tarefa dos cristãos leigos e leigas.

Carlos Signorelli