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Reflexão do Domingo de Pentecostes 2014

pentecostesNasce a Igreja no dia da Vinda do Espírito Santo, Ele inaugura a Igreja que Cristo prometeu que iria realizar em Pedro e nos Apóstolos e com eles a Igreja institucional (visível), mas com o Espírito Santo a Igreja da Graça (invisível). Jesus prometeu “outro Paráclito” que ficaria conosco por toda eternidade, visto que Jesus, sendo o primeiro Paráclito, teria que voltar ao Pai. Assim Ele veio fazer habitação no meio dos homens e realizar em cada um aquilo que Cristo conquistou – a nossa redenção. E nesta grande festa de inauguração da Igreja de Cristo o Espírito Santo manifesta seu poder para mostrar aos homens para o que veio – implantar o Reino de Deus neste mundo decaído pelo pecado.

Desta forma Lucas quer nos colocar um grande evento em Jerusalém onde com línguas de fogo, de vento impetuoso, a manifestação do Paráclito impulsiona aqueles homens medrosos a saírem e anunciar a Boa Nova e em uma primeira pregação de Pedro já levou a conversão três mil homens.

E assim o Espírito não irá parar e até a volta de Jesus estará formando o povo para Deus, um povo disposto, arrojado, consagrado ao ponto que o Senhor se realize na vida de cada um, pois é isto que o Espírito deseja que cada um de nós seja um novo cristo, Ele quer nos conformar a Cristo, nos colocar nesta “forma” de vida e santidade. Para isso somos conduzidos pelo Espírito Santo a nos formar como implantadores do Reino em que o mundo possa olhar para os escolhidos e ver que vale a pena seguir o Senhor.

Este é o tempo do Espírito, tempo da Palavra e do Testemunho, pois somente assim o mundo será transformado. Para isso Sua vinda é com manifestação de “presentes”. Veja bem, quando o Imperador ia visitar uma de suas cidades ou região levava com sigo presentes para o povo (isenção de impostos, novas construções…) e era chamado de evangelho – Boa nova, pois era portador de uma boa notícia para seu povo. Mas agora vemos Jesus é a verdadeira Boa Nova, Ele nos trás a verdadeira Boa Notícia – a Vida Eterna – E o Espírito vem realizar em nós a conquista de Jesus, mas também esta presença vem acompanhada de muitos presentes para que possamos participar efetivamente deste Reino inaugurado e não sermos apenas expectadores, muito pelo contrário seremos protagonistas deste “novo” em parceria com o Espírito Santo. Desta forma Ele nos reveste de Dons e Carismas para que possamos agir efetivamente como obreiros aptos a executar um serviço de qualidade, de poder, de transformação da face da terra. Mas não nos deixa sozinhos, está conosco, ao nosso lado nos dando a capacidade, a cada momento, para que nada saia diferente de seu projeto. Cabe a cada um de nós a entrega total ao Espírito Santo, por isso nós dizemos sempre “Vinde Espírito Santo…”.

Os dons estão em nós, não há um sem os dons. Quais são os dons que já se manifestaram em sua vida? O que você está fazendo com eles? Já identificou seus dons e os colocou em prática a serviço da Igreja? Será que seus dons são como um troféu que enfeita a estante de sua vida e está cheio de poeira? Tomara que não. Os dons são ferramentas de trabalho na construção de um novo mundo. Estes dons não vêm acabados, mas à medida que os usamos se aperfeiçoam e crescem. Certamente que à medida que usamos nos deparamos com a nossa inexperiência, como também nossos pecados e nossos limites, mas para isso temos que buscar intensamente nossa vida de oração pessoal e a intimidade com Deus, assim vamos crescendo nesta intimidade com o Espírito Santo e permitindo que Ele faça sua obra em nós e através de nós.

Não somos espectadores, como criancinhas mimadas que ficam chorando aos pés de sua mãe para que ela faça tudo por ele, somos filhos, herdeiros, responsáveis, somos donos da herança de nosso Pai e Ele nos deu este mundo, conquistado por Cristo na Cruz, então temos que voltar ao princípio, no projeto primeiro de Deus Pai que criou o homem a sua imagem e semelhança e disse: “Crescei-vos e multiplicai-vos, dominai a terra e submetei-a”, isto é, este mundo é todo de vocês, façam dele um mundo maravilhoso, ai Eu serei glorificado. Pois bem aquilo que nossos primeiros pais destruíram Jesus fez nova todas às coisas, agora cabe a nós e ao Espírito Santo fazer tudo novo.

Vamos em frente.

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Virgília de Pentecostes

espirito santo3Durante toda esta semana os cristãos se preparam para uma das festas mais importante da Igreja. envolvidos nesse  clima de preparação para a vinda do Espírito Santo Paráclito. Celebramos também nestes dias a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Nesta noite esperamos vigilantes a vinda daquele que é a Alma da Igreja. As grandes festas litúrgicas sempre têm uma celebração de vigília que as antecede. Do nosso coração deve brotar constantemente esta oração: “Vinde Espírito Santo!” Neste clima preparamos nosso coração, a nossa Comunidade para receber o nosso Defensor, aquele que vai nos animar a continuar a missão de Jesus.

sugestões para reflexão:

II Leitura: Rm 8, 22-27 – Espírito que converte.

A ação do Espírito Santo é uma ação transformadora. Do egoísmo à partilha! Do individualismo à solidariedade! Sair de nós, de nossos projetos e assumir o projeto apontado pelo Espírito Santo! Ele nos ajuda a assumir um jeito novo de ser. Ele nos impulsiona para o projeto de Jesus.

Evangelho: Jo 7, 37-39 – Rios de água viva!

Jesus é a água viva. Ele veio matar a sede do homem. Quem se julga saciado, auto-suficiente não terá esta água. Só os que estão abertos ao projeto de Jesus é que conseguirão ter em si o Espírito Santo, aderindo  e acreditando Nele.

Solenidade do Pentecostes

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da ascensão ao Céu, ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse a promessa do Pai” (cf. Act 1, 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem para receber o dom do Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. Act 1,14).

Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma programação atenta e da sucessiva inteligente realização mediante um empenho concreto. Sem dúvida, o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.
As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo o vento e o fogo recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Êx 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do Pacto. Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo Pacto, na qual a Aliança com Israel se alarga a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. Act 2, 9-11).
O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, intencionados a construir com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente. No Pentecostes o Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros de indiferença, de ódio e de violência.
O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor. Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carrregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu.
É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser “expressão e instrumento do amor que d’Ele promana” (Deus caritas est 33). Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: “Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!”.

Pensamento do dia

Se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais.