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Reflexão do Evangelho do 6º domingo da Páscoa (João 14,23-29)

CRISTO PRESENTE NA COMUNIDADE

Jo-14O evangelho deste domingo faz parte do discurso de despedida de Jesus. A sua despedida, porém, não significa ausência; ele assegura sua presença mediante a Palavra e o Defensor.

Jesus disse: “Quem me ama guardará minha palavra, o meu Pai o amará e viremos e faremos morada nele”. Quem acolhe e observa sua palavra experimenta a proximidade dele e de seu Pai. Eles virão estabelecer morada com o discípulo, “viverão juntos na intimidade da nova família”. O Vaticano II disse que Jesus está presente na palavra proclamada na celebração. Na Bíblia, “o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles” (DV 21).

A vivência da palavra se expressa na vivência do amor. Deus se torna presente na comunidade e em cada um de nós mediante o amor. Amar a Jesus é aproximar-se dele para identificar-se com ele e com o seu projeto de vida. O gesto concreto do amor a Jesus expressa-se no amor ao próximo. Cada pessoa que ama torna-se morada de Jesus e do Pai e manifesta a presença de Deus.

A função do Defensor, do Espírito Santo, é iluminar, animar e dirigir a Igreja de Jesus ao longo dos séculos. Por meio dele, Jesus continua a agir entre nós e nos faz entender e testemunhar o seu projeto. O Espírito é quem nos ensina e nos faz recordar o compromisso com Jesus e com os irmãos. Ele nos dá força e coragem para continuar a missão na construção do reino de Deus.

O reino de Jesus é um reino de paz e harmonia entre os seres humanos. Todos os que são morada de Deus e amam a Jesus tornam-se construtores da paz, bem messiânico por excelência. A presença do Espírito nos leva a viver e buscar a paz do Ressuscitado. Paz que não é apenas ausência de guerra e de violência, mas é sobretudo o que a palavra hebraica shalom significa: bem-estar, desfrutando o necessário para viver com dignidade, na harmonia consigo, com os outros e com Deus.

Pe. Nilo Luza, ssp

Reflexão do Evangelho do 19º DOMINGO COMUM

  AS VITAMINAS DA CAMINHADA

Ao longo de nossa caminhada, há momentos em que somos fortemente tentados a jogar-nos debaixo de uma árvore frondosa e deixar que o mundo se dane.
Queimadas as reservas da energia e esvaziado o depósito da paciência, parece-nos ter chegado a hora de reviver em nossa história pessoal o drama do profeta Elias: “Agora, Senhor, já chega”.
Mas, enquanto a fé e a esperança continuarem frequentando nosso coração e brilhando em nosso horizonte, iremos descobrindo que os motivos de nossa corrida terão sentido e validade. A meta pode estar longe, mas é bem visível a olho nu. Os meios para alcançá-la são mais que suficientes e estão sempre à nossa disposição.
Contudo, será que nossa caminhada para Deus precisa de meios poderosos? O amor não precisa desses meios: ele é forte por si mesmo, é luminoso por si mesmo, é todo-poderoso por si mesmo e basta a si mesmo.
Um pão assado e um jarro de água pura – este nutriente elementar – é tudo de quanto precisamos para nossa viagem. Basta lembrar que, para nós, eles simbolizam a palavra do evangelho e o sacramento da eucaristia.
Além disso, no fim da linha, há uma verdade que não podemos ignorar: alguém está à nossa espera. Essa certeza, pobre e gloriosa ao mesmo tempo, é a certeza da fé.
Quer dizer que nós não caminhamos rumo ao desconhecido; não andamos rumo ao nada eterno; não buscamos uma pátria imaginária ou um reino inexistente. Bem sabemos que vamos aportar nos braços do Pai, no reino do amor e da felicidade.
Tudo isso nos será possível graças às vitaminas e às energias contidas no alimento da caminhada: aquele pão e aquele vinho, que são o Corpo e o Sangue do Filho amado de Deus.

Pe. Virgílio, ssp