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Reflexão do Domingo da Ascensão do Senhor

 
SILÊNCIO E PALAVRA
 
Vivemos num período histórico em que assistimos ao impressionante desenvolvimento das tecnologias na área da comunicação. Notadamente com o advento das mídias digitais, entre as quais a internet e o celular, e com a consequente organização da sociedade “em rede”, o mundo está cada vez mais interconectado, influenciando, de maneira decisiva, o nosso modo de ser e de nos relacionar.
No entanto, o acesso às novas tecnologias não garante a qualidade da nossa comunicação. É necessário refletir sobre como estamos usando as modernas mídias e até que ponto elas estão nos ajudando a construir uma sociedade com melhor qualidade de vida. Caso contrário, o que deveria ser fator de humanização pode se transformar apenas em fonte de barulho e de dispersão. 
Tendo presente este contexto sociocultural, Bento XVI, em sua mensagem para o 46º dia mundial das comunicações, que celebramos neste domingo da Ascensão do Senhor, propõe-nos oportuna reflexão sobre “silêncio e palavra: caminho de evangelização”.
O papa nos mostra que entre silêncio e palavra não há oposição, mas complementaridade. De fato, o “silêncio” é elemento importante no processo da comunicação. Sem essa atitude não podemos “escutar”, e, se não escutamos, como poderemos dizer as palavras certas às pessoas e ao mundo que nos cercam? 
No âmbito da fé, o silêncio é o primeiro passo para acolhermos a palavra de Deus, precisamente porque favorece o discernimento e o aprofundamento. Se não escutamos o que o Senhor quer nos falar, o que vamos anunciar?
Evangelização é, antes de tudo, comunicação, e esta, para realizar-se de modo eficaz, necessita do silêncio e da palavra. Só assim conseguiremos oferecer, com base nos valores evangélicos, respostas adequadas aos problemas atuais e construir uma sociedade com mais vida, em conformidade ao que Jesus ressuscitado espera de seus discípulos.
 
Pe. Valdir José de Castro, ssp

Reflexão do 6º Domingo da Páscoa

AMOR DE AMIGO
Mais de uma vez, ao longo dos evangelhos, Jesus foi questionado sobre o maior mandamento, e sobre isso ele não deixou margem à dúvida. O distintivo do cristão, o mandamento maior, é o amor.
Mas o amor, tão cantado em verso e banalizado em prosa, pode ser tudo e nada. Pode até ser uma abstração romântica incapaz de se expressar em gestos concretos.
O amor de que Jesus fala, no entanto, é aquele que ele demonstrou em vida. Amor de quem se fez amigo e aos amigos tudo revelou com confiança.
Amor de amigo é o amor de quem conhece o outro e sabe que pode confiar nele. Não é o amor de contrato, de papel passado, mas o amor gratuito, de quem se doa porque simplesmente ama, sem esperar nada em troca. E se o Mestre espera algo em troca, é tão somente que experimentemos seu amor e permaneçamos nesta mesma dinâmica de doação, sendo amigos dele e entre nós. Amor de amigo, enfim, não se baseia no medo, mas na franqueza e na coragem, pois só tem medo do outro quem não o conhece.
Ao nos revelar o rosto e a vontade do Pai, Jesus nos tem como amigos e confia em nós para que, cumprindo seu mandamento de amor, não joguemos fora a dignidade de filhos queridos pelo Pai.
Este amor maior, de quem dá a vida pelos amigos, Jesus demonstrou por nós indo à procura de todos: curando quem estava doente, levantando quem estava caído, ressuscitando quem estava morto. Jesus não fez teorias sobre o amor, mas ensinou em cada uma de suas ações que uma vida que se doa concretamente por amor só pode ser marcada pela felicidade e pelos frutos.
É o próprio Jesus quem nos escolhe porque nos ama, e esta certeza nos envolve numa confiança fundamental, a dos amigos que buscam a autêntica alegria, aquela que dura para sempre e que só pode vir de Deus.
E então o Mestre nos pede, uma vez mais, que nos amemos uns aos outros. Não de qualquer jeito, não com teorias, mas como ele mesmo nos amou. Nossa felicidade terá, enfim, o tamanho das amizades que nosso amor tiver construído.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp

Reflexão do 5º domingo da Páscoa “TODOS UNIDOS EM CRISTO”

Mistério do amor infinito de Deus: videira e ramos, Deus e nós. Deus é mais íntimo de nós do que nossa própria alma. Ele nos frequenta e habita. Isso vale para os batizados e os não batizados, uma vez que todo ser humano é imagem e semelhança de Deus.
Não se trata de semelhança fotográfica. De fato, numa fotografia não há nada de nós, mas em nosso ser e em nosso semblante existe algo de Deus. Sim, Deus está no ser humano, trabalha com o ser humano, ama-o e até se pode dizer que sofre com ele.
Com a encarnação de Jesus Cristo, Deus entrou de maneira nova na história do mundo, bem como na história de cada um de nós. Entrou não apenas moral ou espiritualmente, mas visível e sensivelmente. Assim como se faz visível e sensível na figura humana de Jesus.
É graças a essa presença de Deus em nós que podemos subsistir, movimentar-nos e agir, fazer nossas opções, administrar com inteligência nossa liberdade. É sempre graças a essa presença de Deus em nós que nossa fé, nossa esperança e nosso amor podem se alimentar e se fortalecer.
A imagem da videira e dos ramos, enfim, propõe-nos a superação do individualismo, do egoísmo e da solidão. E nos leva a reviver a emocionante experiência de Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Deixar Cristo viver em nós, porém, não é convite à alienação. É convite a buscar a aliança e a união com ele e com nossos semelhantes. Porque o individualismo é tristeza, a união é alegria. O individualismo é fraqueza, a união é força. O individualismo é esterilidade, a união é fecundidade. O individualismo é solidão, a união é convívio feliz. Enfim, o individualismo é morte, a união é vida.
Pe. Virgílio, ssp

Reflexão do 4º domingo da Páscoa

BONS E MAUS PASTORES
Jesus se apresenta, no evangelho deste domingo, como o bom pastor. Ora, se há o bom pastor, pode haver também o mau pastor. De fato, encontramos na comunidade e na sociedade bons e maus pastores. Quem é bom e quem é mau pastor?
Jesus é o bom pastor porque conhece seu povo e o povo o conhece. Conhecer, em sentido bíblico, é mais do que apenas a visão intelectual: é uma consciência que cria comunhão de vida, relação pessoal de amor e amizade. Conhecer de verdade as pessoas (ovelhas) implica disposição para pagar o preço de se pôr a seu serviço.
Jesus é o bom pastor porque dá a vida para que o povo a tenha em plenitude. Toda a prática de Jesus foi em favor da vida do povo e dos mais sofridos e abandonados da sociedade. Seu amor para com essas pessoas foi tão grande, que chegou a se sacrificar por elas. Quem ama de verdade é capaz de se doar pela vida do amado, não conhece limites e não foge diante do perigo.
Jesus é o bom pastor porque se preocupa com todos e não apenas com um pequeno grupo. Em muitos momentos ele diz que veio também para outros povos. Jesus não é exclusividade de um único povo. Sua proposta de vida é para todas as pessoas e para todos os povos.
Estão aí três razões que nos falam das características do bom pastor. Todo aquele que se propõe ser bom pastor ou bom dirigente do povo deve buscar em Jesus o modelo.
Infelizmente encontramos também maus pastores ou maus administradores em nossas comunidades e na sociedade. São os mercenários, que se preocupam apenas consigo mesmos; não têm interesse pela vida do povo; buscam o próprio proveito; nas dificuldades, jamais aceitam se sacrificar. O mercenário está interessado no salário e no lucro, e não na vida das ovelhas. Ele instrumentaliza as pessoas para o bem de si mesmo – as vê e valoriza enquanto lhe são “úteis”.
Pe. Nilo Luza, ssp