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Reflexão do Evangelho do 5º Domingo da Páscoa (Jo 15,1-8)

images (1)UNIDOS PARA FRUTIFICAR

O capítulo 15 de João inicia longo discurso que irá até o fim do capítulo 17. A imagem da videira e dos ramos é bastante simples, mas muito expressiva. Jesus é a videira, os discípulos são os ramos e o Pai é o agricultor. Há um verbo que domina o texto do início ao fim: permanecer. Sabemos que os ramos não têm vida autônoma; desligados do tronco, secam e não produzem nada. A essa realidade Jesus compara a vida da comunidade cristã.

“Eu sou a videira e vocês são os ramos.” O verdadeiro cristão está unido a Cristo, fonte da seiva da vida. Desligado de Jesus, não há como ser discípulo e seguidor. O motivo da união com Cristo é produzir frutos para os outros. Não merece o nome de cristão quem não produz frutos de amor e justiça. O amor de identificação com Jesus se transforma em amor de doação às pessoas. Nisto o “Pai é glorificado”, na produção de frutos. Nossa primeira tarefa, portanto, é permanecer em Cristo. Cristão estéril não faz nenhuma diferença na comunidade e na sociedade. No time de Cristo não há lugar para parasitas.

O “Pai é o agricultor”: o ramo que não dá fruto é cortado e aquele que produz é cuidado para que produza mais frutos. As alternativas que Jesus apresenta são claras: estar unido a ele e produzir frutos ou ser cortado e desligado. Somente o Pai (o agricultor) se encarrega da árdua tarefa de remover: a comunidade (os ramos) pode colaborar, mas não assumir o papel do “agricultor”; nem Jesus (a videira) pode substituir a função do Pai.

Portanto, o evangelho de hoje apresenta a dupla missão do cristão: permanecer em Jesus e comprometer-se com os irmãos. Sintonizados com Jesus, os frutos dessa união, com certeza, aparecerão. O contato e a meditação da palavra de Deus e a comunhão e a oração com a assembleia determinam os rumos que o cristão segue para ser verdadeiro discípulo-missionário.

Pe. Nilo Luza, ssp

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Reflexão do Evangelho do Domingo de Páscoa (Jo 20,1-9)

cristo ressuscitadoSURGE NOVA HUMANIDADE

A menção ao primeiro dia da semana nos recorda o Gênesis, que descreve a criação. O evangelista quer mostrar que com a ressurreição de Jesus nasce nova criação e nova humanidade. A ressurreição, ato supremo da criação, manifesta a nova realidade que surge. A comunidade representada por Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado faz a caminhada da fé e começa, diante do túmulo vazio, a “ver” os sinais de vida.

Maria Madalena pode retratar a comunidade que busca os sinais de vida em meio aos sinais de morte. Ainda escuro, ela descobre o desaparecimento do corpo de Jesus. Quando falta a fé, andamos nas trevas. Aqui cabe um questionamento: como encontrar vida em meio a tantas mortes? Como promover a vida em meio aos sinais de morte nas periferias das grandes cidades? Sem o Ressuscitado, não enxergamos luz no fim do túnel.

Alertados por Madalena, os dois discípulos correm ao sepulcro. Nessa corrida, chega primeiro quem tem mais fé e amor. Quem carece desses dons vai ficando pelo caminho e não avança na busca dos sinais de vida.

Os dois discípulos veem as mesmas coisas, mas têm percepções diferentes. O discípulo amado crê que o corpo de Jesus não fora roubado, pois as “faixas de linho no chão e o pano (sudário) enrolado” sinalizam que Jesus foi desatado das amarras da morte e que o túmulo é apenas o lugar do descanso do seu corpo e donde brota a vitória definitiva da vida.

Naquele primeiro dia da semana sucedeu algo extraordinário que somente quem tem fé e amor consegue descobrir. O discípulo amado nos dá o testemunho de que é possível crer e apostar na superação dos sinais de morte, para que a vida resplandeça em toda sua beleza e plenitude. É possível desatar as amarras que não deixam a vida florescer. Voltando para casa, após a celebração, cultivemos a certeza de que podemos promover a vida, láonde ela não é valorizada, colaborando para que a nova humanidade se manifeste de forma definitiva. Deus, amigo da vida, faz-nos compreender a paixão do seu Filho pela causa da vida justa e feliz para todos.

Pe. Nilo Luza, ssp

Reflexão do Domingo de Ramos 2015

“Hosana ao Filho de Davi”

Salve, Rei dos judeus

domingo-de-ramosA entrada de Jesus em Jerusalém não é simplesmente um fato de sua vida, mas é a realização da profecia de Zacarias 9,9 sobre o rei futuro: “Eis que teu rei vem a ti”, como outrora fizera Davi. O rei monta um jumentinho, não um garboso cavalo de guerra. Ele vem em paz para implantar a paz. Ele mesmo o diz: “Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz”. Por não aceitar esta paz, muitos males advirão (Lc 19,42-44). Nesses próximos dias teremos os grandes acontecimentos de nossa Salvação. O Domingo de Ramos é como que uma síntese: O Ressuscitado, que aparece glorificado pelo povo, vai ser crucificado, morto e sepultado. Mas Deus O ressuscitará. A Paixão não é o fim. A cerimônia tem origem primitiva na Igreja de Jerusalém que celebrava os mistérios de Jesus, no lugar em que haviam acontecido. Essa cerimônia passou para toda a Igreja. O povo saúda Jesus: “Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso Pai Davi! Hosana no mais alto dos céus”(Mc 11,10). É um momento de reconhecer que em Jesus o Reino, iniciado por Davi, agora chega à maturidade: abrir ao descendente prometido que manterá o reino para sempre. Deus prometera a Davi que sua família duraria para sempre. Essa profecia foi realizada em Jesus. O reino de Jesus não é mais um reino terrestre: Em seu processo de condenação à morte, Pilatos pergunta: “És o rei dos judeus?” Jesus responde: “Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus”. “Mas meu reino não é daqui” (Jo 18,32-36). O mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é a abertura desse novo e eterno tempo de Deus. Eterno é o reino da justiça, do amor e da paz. Leia o resto deste post

Reflexão do Evangelho do 4º Domingo da Quaresma (João 3,14-21)

DEUS AMA A HUMANIDADE

joao08Jesus, no trecho do diálogo com Nicodemos que ouvimos hoje, declara que Deus amou o mundo e enviou seu Filho para viver com a humanidade e para que as pessoas vivam em plenitude. Nessa altura do diálogo, Nicodemos já não aparece. Não se sabe se terá voltado atrás ou aderido à nova proposta de Jesus e se deixado envolver pela sua luz reveladora. O certo é que ele não diz mais nada nem pergunta. Estaria escutando e aprendendo do Mestre para se abrir à revelação?

Nicodemos sai de cena, entramos nós. Somos ciosos de conhecer a revelação de Deus. Mais do que falar, somos convidados a escutar o que o Mestre quer nos revelar. Sua revelação é algo essencial, realmente central no Evangelho de João: “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho único, para que não morra quem nele acredita, mas tenha a vida eterna”. Essas palavras são as mais importantes e as que iluminam todo o evangelho, fundamentam toda a ação de Jesus.

Se Deus ama o mundo, ama todo ser humano, ama cada um de nós. A prova desse amor está na cruz. Jesus não a recusou, por fidelidade ao Pai e por amor à humanidade. Daí vem também nossa salvação, ao acreditar no Crucificado e aderir a ele. Cristo na cruz abraça toda a humanidade, não exclui ninguém. Abraço que deve ser aceito livremente por cada um; recusá-lo é recusar a luz (o amor de Deus) e permanecer nas trevas (fora do abraço amoroso do Pai). Jesus na cruz é o sinal de nossa salvação e a luz que brilha e ilumina nossa vida, revelando o que há de bom (luz) e o que há de mau (trevas) em cada um, na comunidade e na sociedade.

Olhar para Jesus “levantado” na cruz significa crer nele – o que não é apenas um gesto de adesão intelectual, mas compromisso com seu projeto – e acolher sua mensagem dirigida a toda a humanidade. Identificar nossa vida com a dele significa assumir sua prática em favor dos mais necessitados. “Gastar” a vida por amor é a maneira mais nobre de valorizá-la e fazer dela o grande dom para Deus e para os irmãos.

Pe. Nilo Luza, ssp